quinta-feira, 21 de maio de 2015

Esperança

Eu poderia dizer que algumas coisas perderam o sentido, mas talvez não seja isso. O significado que algumas palavras tinham no meu dicionário pessoal não batia com a realidade dos acontecimentos e acabei por me perder nos sentidos. Talvez eles realmente tenham se perdido - e talvez eu esteja tentando ressignificá-los de alguma forma. A visão que temos do mundo, das coisas, das pessoas, das situações pode, em algum momento, não corresponder com o que acontece e, ou achamos que tudo é loucura "lá de fora", ou loucura nossa - e aí tentamos reequilibrar, aproximando os significados e tentando criar outros. Neologismos aparecem e fazem sentido por um tempo - mas até quando? Atualmente, busco novos significados para velhos conceitos empoeirados, antes que eles se percam. Sei que algo mudou, mas não totalmente, pois, como já me disseram, não se pode perder a esperança. Em meu livro preferido, meu personagem predileto termina por dizer, "[...] esperar e ter esperança!". Talvez eu deva sucumbir aos apelos da literatura e de alguns conhecidos, que me dizem para ter esperança...

Trecho dessa parte do livro: "[...] não existe felicidade nem infelicidade neste mundo, existe apenas a comparação de um estado com outro e mais nada. Só aquele que experimentou o extremo infortúnio se encontra apto a experimentar a extrema felicidade. É necessário ter querido morrer [...] para saber como é bom viver. [...] até ao dia em que Deus se dignar desvendar o futuro ao homem, toda a sabedoria humana residirá nestas palavras: esperar e ter esperança!"

Esperar e ter esperança: estou começando a me convencer disso - e a dar novos significados e sentidos ao que eu pretendia largar pelo caminho...

domingo, 10 de maio de 2015

Saudade

Você aprende desde cedo que SAUDADE é aquela palavra portuguesa sem tradução. Seja você um brasileiro, um português ou um estrangeiro que está aprendendo nosso idioma: você aprende o significado e a intraduzibilidade dessa palavra. Você aprende, também, que não é só linguisticamente que ela se apresenta como uma palavra complicada. Como definir o que você sente quando alguém que você ama vai embora? E quando alguém querido morre? E quando aquele local que você costumava ir não é mais de fácil acesso? E as músicas, os cheiros, os gostos, os momentos, os lugares, as palavras ditas, os gestos, os olhares, os sorrisos, as sensações...? Saudade é algo complicado, e vai além do dicionário. Tradução intralingual, interlingual ou intersemiótica não dão conta do significado que essa palavra abarca. Há que ser poeta para defini-la, mas, antes de tudo, há que ser humano e ter sofrido perdas, separações e privações - e o mais importante: há que ter amado! Sem sentimento envolvido - aquela vontade de sentir novamente, de reviver - não há como encontrar definições. Beira o intangível. É como olhar para as estrelas e querer estar lá - acho que essa é a minha definição para vocábulo tão singular...

terça-feira, 21 de abril de 2015

Chance

Às vezes, em belíssimas noites claras, você olha para aquela estrela (sim, aquela sua estrela) e pergunta muitas coisas, esperando que ela, antropomorficamente, olhe para você e responda algo - mas ela continua só piscando (o que já é lindo por si só).

O sinal que você espera, muitas vezes, vem de forma estranha, imprevisível, disfarçada e, quando você pensa a respeito, imagina que foi sua estrela sussurrando, "é sua chance!".

"'Cause you're a sky
'Cause you're a sky full of stars 
'Cause you light up the path..."

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Words

Where My Books Go

All the words that I utter,
And all the words that I write,
Must spread out their wings untiring,
And never rest in their flight,
Till they come where your sad, sad heart is,
And sing to you in the night,
Beyond where the waters are moving,
Storm-darken’d or starry bright.

(William Butler Yeats)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Joe

"Ligo o rádio do meu carro e pego a estrada
Não sei nem pra onde eu vou
Ponho os óculos escuros
Deixo a mente apertar o acelerador

Essa noite eu quero festa, eu quero rua
Eu quero é me apaixonar
Um romance a cem por hora
Alguém sozinho como eu pra poder falar:

Me leva pra casa,
Me pega no colo,
Me conta uma história,
Me mata de amor..."

sábado, 4 de abril de 2015

Vulcão

"Gotta find me a future, move out of my way!". Essa música está ribombando em minha mente ("I Want It All", Queen). Eu quero muitas coisas e sei que elas são possíveis! Hoje ouvi outras canções que me lembraram de algumas pessoas com gostos singulares (como os meus) e pensei, por um momento, que há poucos assim por aí. Há poucos, mas existem! Por que não acreditar que, um dia, posso voltar a compartilhar alguns desses gostos com amigos diferentes? As pessoas que se foram, infelizmente, não voltam, e o que partilhamos ficará eternizado na história. Um dia, quem sabe, podemos estar juntos novamente e dividirmos algumas lembranças, talvez até embalados pelas mesmas músicas, mas, ah... Bom mesmo é ter esperança de que outras pessoas virão e dirão, "oh, você também gosta disso?". É muito confortante quando encontramos outros seres em nosso caminho que possam entender as sutilezas de nossa alma... Quando se encontra alguém assim, deve-se prestar atenção: é um evento único e imperdível!

Quanto aos desejos, esses são sagrados. Nada pode impedir um sonho de ser realizado, especialmente quando ele é palpável, e não mero devaneio. Cansei de me agarrar a coisas insatisfatórias só porque eram mais fáceis. Ainda há muito a ser realizado - e nada, nem ninguém, deve ser um impedimento. Eu acredito em luta, em vitória, em desbravamento, mesmo que eu tenha ficado parada por muito tempo. Eu acredito em mudanças, em renovação, em melhoras. Não gosto de nada que me prenda, que me limite, que me bitole. "Os meus olhos têm a fome do horizonte". É essa fome que eu quero tentar saciar, mas espero que eu não consiga, para que eu possa sempre estar buscando algo novo. Eu preciso disso. Eu quero isso.

A lava está prestes a fazer o vulcão entrar em erupção. Depois que isso acontecer, nada impedirá o voo da Fênix.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Acabado

Acho que aquele foi mesmo o dia em que o mundo acabou... Tanta coisa aconteceu depois disso que, às vezes, parece que realmente foi o fim. Foi o dia em que meu melhor amigo se foi. Foi o dia em que eu não estava presente para lamentar sua perda. Os dias seguintes pareciam sombras dos anteriores. Uma névoa estranha, de incertezas e de acontecimentos inusitados, fez com que tudo parecesse um sonho. Talvez ainda seja. Talvez nada disso seja real. Na verdade, talvez agora é que o real tenha se manifestado, como em "Vanilla Sky". Agora é que me dei conta da perda do meu amigo, dos lugares fantasiosos por que passei e dos estranhos eventos que aconteceram.

Não sei se quero enfrentar outros fins do mundo... Acordar num mundo pós-apocalíptico depois de viver uma ilusão é muito pior que enfrentar os horrores da guerra disfarçados de eventos incomuns, como em "A Vida é Bela"...

Foi tudo ilusão. Meu amigo não existe desde aquela época... Eu já não existo como antes desde muito tempo. Onde estive? Só sei que agora sei para onde ir: de onde eu nunca deveria ter saído quando o mundo já tinha acabado...

segunda-feira, 30 de março de 2015

Fortaleza

Avistar a fortaleza não é tão assustador quanto tentar entrar nela à força. Há resistência, flechas voam, guerreiros saem do meio do nada para manterem o local protegido e seguro. Não há como entrar. É uma fortaleza, e com muros altos. É preciso ter calma e se fazer entender para que reine a diplomacia e a ponte possa ser, voluntariamente, baixada. Só assim é possível entrar, ao menos em uma parte do local, e tentar um diálogo. Caso contrário, dali mesmo já se é lançado aos crocodilos.

A fortaleza é alta, mas não é intransponível. É bem vigiada, mas pode se conquistar a confiança. Tem uma boa defesa e um bom ataque, mas pedras também podem virar pó. Não é preciso ter medo, fortaleza. Não quero entrar para causar guerra. Jogo a espada fora e quebro o escudo, se for preciso. Eu venho em missão de paz, só precisando descansar um pouco de tantas batalhas, querendo curar algumas feridas e beber uma água fresca. Não sou um inimigo, e sim um aliado, caso precise de mais um combatente.

Seus muros altos não me assustam mais. Eu me encosto neles para admirar o céu...

domingo, 22 de março de 2015

Amanhã

"Amanhã será um lindo dia" - já cantava Guilherme Arantes. Não sei qualificar a beleza, mas sei que amanhã será um dia diferente. Firmei o propósito de viver somente o hoje, mas esta semana me vi enredada em ontens longínquos... Muitos acontecimentos e conversas fizeram-me pensar em outro dia: o amanhã. Não temos controle sobre o ontem, nem sobre o amanhã, mas e o hoje? Não está passando, célere e galopante, diante dos nossos olhos? Daqui a pouco o hoje já virou ontem, e o amanhã já virou hoje, que virou ontem, e por aí vai... Resolvi pensar (não tanto, mas moderadamente) no amanhã. Sim. Ele pode trazer esperança e conforto, mas não do tipo ilusório, e sim do tipo por que vale a pena lutar. Não adianta viver um hoje insatisfatório. Quero ter outros hojes com conteúdo e, para isso, preciso pensar no amanhã. Não sei se ele chega, mas, se chegar, ao menos será firmado em ações que faço agora. Quero viver meu hoje pensando num bom amanhã. Não há garantias, mas há promessas; não há certezas, mas há fundamento. Ao menos será uma tentativa, e aprenderei bastante no processo. A estrada pode ser longa ou curta, mas trilhá-la é inevitável. É a minha estrada. É o meu caminho. São as minhas escolhas. Quero um dia olhar para trás e saber que deixei os piores dias em seus devidos lugares.

Amanhã já é um lindo dia, pois ele começa a ser construído agora. Hoje. Já.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Ontem

Firmei um propósito, há algumas semanas, de viver somente o dia de hoje. Só que hoje é um daqueles dias inevitáveis. Hoje é um daqueles dias em que estou vivendo o ontem. Músicas me vieram à cabeça e, com elas, a sombra de um sorriso que eu deixei numa das curvas da highway, como canta Engenheiros do Hawaii. Na verdade, foi uma semana regada a lembranças, e viver somente o hoje foi complicado. Fiquei com um pé lá atrás, relembrando eventos muito antigos. Hoje, em especial, lembrei-me de um certo sorriso, de um olhar, de alguém que me tratava de forma especial... Ah, eu espero que ele ainda seja assim, com aquela sensatez, inteligência e sensibilidade. Vivemos momentos singulares, que se perderam na maré dos longos anos, mas que, às vezes, retornam e me deixam nostálgica. É bom saber que ele está feliz e que, mesmo que tenha mudado, em minhas lembranças será sempre aquele que tinha palavras singelas para me dizer.

Outra lembrança de hoje é o aniversário de alguém tão querido que não está mais entre nós. Tantos anos comemorando essa data e, mesmo depois de duas décadas, ainda é triste saber que ele não está aqui... Sua presença, entretanto, foi tão marcante que ainda é possível ver obras de suas mãos espalhadas pelo ambiente em que me encontro - mas não só aqui! Ensinamentos, fotos, lembranças, sorrisos, choros, momentos difíceis, momentos simples... Desde que me entendo por gente, ele já existia e segurava minha mão. Gostaria que ele estivesse aqui agora, no meu hoje, para me dizer algumas palavras que poderiam nortear meu amanhã...

Hoje, para mim, é tão ontem que eu me sinto desconectada. Pessoas e fatos recentes não me interessam muito, pois perdem a importância em meio a tantas outras lembranças significativas...

O tempo corre célere, mas me sinto feliz por ter ótimas recordações de pessoas que realmente fizeram a diferença no meu mundo.