domingo, 22 de março de 2015

Amanhã

"Amanhã será um lindo dia" - já cantava Guilherme Arantes. Não sei qualificar a beleza, mas sei que amanhã será um dia diferente. Firmei o propósito de viver somente o hoje, mas esta semana me vi enredada em ontens longínquos... Muitos acontecimentos e conversas fizeram-me pensar em outro dia: o amanhã. Não temos controle sobre o ontem, nem sobre o amanhã, mas e o hoje? Não está passando, célere e galopante, diante dos nossos olhos? Daqui a pouco o hoje já virou ontem, e o amanhã já virou hoje, que virou ontem, e por aí vai... Resolvi pensar (não tanto, mas moderadamente) no amanhã. Sim. Ele pode trazer esperança e conforto, mas não do tipo ilusório, e sim do tipo por que vale a pena lutar. Não adianta viver um hoje insatisfatório. Quero ter outros hojes com conteúdo e, para isso, preciso pensar no amanhã. Não sei se ele chega, mas, se chegar, ao menos será firmado em ações que faço agora. Quero viver meu hoje pensando num bom amanhã. Não há garantias, mas há promessas; não há certezas, mas há fundamento. Ao menos será uma tentativa, e aprenderei bastante no processo. A estrada pode ser longa ou curta, mas trilhá-la é inevitável. É a minha estrada. É o meu caminho. São as minhas escolhas. Quero um dia olhar para trás e saber que deixei os piores dias em seus devidos lugares.

Amanhã já é um lindo dia, pois ele começa a ser construído agora. Hoje. Já.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Ontem

Firmei um propósito, há algumas semanas, de viver somente o dia de hoje. Só que hoje é um daqueles dias inevitáveis. Hoje é um daqueles dias em que estou vivendo o ontem. Músicas me vieram à cabeça e, com elas, a sombra de um sorriso que eu deixei numa das curvas da highway, como canta Engenheiros do Hawaii. Na verdade, foi uma semana regada a lembranças, e viver somente o hoje foi complicado. Fiquei com um pé lá atrás, relembrando eventos muito antigos. Hoje, em especial, lembrei-me de um certo sorriso, de um olhar, de alguém que me tratava de forma especial... Ah, eu espero que ele ainda seja assim, com aquela sensatez, inteligência e sensibilidade. Vivemos momentos singulares, que se perderam na maré dos longos anos, mas que, às vezes, retornam e me deixam nostálgica. É bom saber que ele está feliz e que, mesmo que tenha mudado, em minhas lembranças será sempre aquele que tinha palavras singelas para me dizer.

Outra lembrança de hoje é o aniversário de alguém tão querido que não está mais entre nós. Tantos anos comemorando essa data e, mesmo depois de duas décadas, ainda é triste saber que ele não está aqui... Sua presença, entretanto, foi tão marcante que ainda é possível ver obras de suas mãos espalhadas pelo ambiente em que me encontro - mas não só aqui! Ensinamentos, fotos, lembranças, sorrisos, choros, momentos difíceis, momentos simples... Desde que me entendo por gente, ele já existia e segurava minha mão. Gostaria que ele estivesse aqui agora, no meu hoje, para me dizer algumas palavras que poderiam nortear meu amanhã...

Hoje, para mim, é tão ontem que eu me sinto desconectada. Pessoas e fatos recentes não me interessam muito, pois perdem a importância em meio a tantas outras lembranças significativas...

O tempo corre célere, mas me sinto feliz por ter ótimas recordações de pessoas que realmente fizeram a diferença no meu mundo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Rodopio

Gostei tanto do meu próprio desabafo que, antes de publicá-lo numa rede social, vou registrá-lo aqui, em primeira mão:

"Quando você passa a viver somente o hoje, os detalhes cotidianos ganham cores que você nem imaginava... Engraçado: de realista cotidiana passei a ser "poeta" do dia a dia... Quem diria que uma decisão simples seria tão avassaladora... Um furacão nos deixa leves? Talvez - para nos fazer flutuar em meio ao rodopio..."

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Hoje

Hoje é aquele dia que não se repete. Parece óbvio? Muita gente vive como se tudo fosse igual todos os dias. Apesar dessa sensação, cada dia é diferente. A decisão de viver somente o hoje passa por longas experiências e inquietações, e o simples fato de tomar isso como uma diretriz trouxe mais leveza do que se poderia imaginar. E se não existir um amanhã, ao menos para mim? Eu posso voltar atrás e mudar os acontecimentos? Adianta planejar? Muitas vezes, sentimos segurança em deixar planos prontos e dinheiro acumulado, mas, se algo acontecer, se um meteoro destruir a Terra, se você morrer, de que adianta tudo isso? Eu conheci uma pessoa que não planejava nada e vivia somente o dia de hoje, e ela foi mais longe do que qualquer um dos meus amigos que costumavam fazer planos e se preparar para o futuro. A vida é incerta, mesmo, e não há uma fórmula para se viver bem. Cada um escolhe o que lhe serve para continuar vivendo - e o bom é que seja da melhor forma possível. Hoje eu escolhi viver assim, pois já tentei antes e foi a melhor época da minha vida. As consequências dessa escolha são somente minhas, então por que alguém iria se incomodar com isso? Escolhi viver o hoje, num eterno e contínuo agora, neste local em que estou (seja ele qual for no momento).

Hoje é o dia que tenho em mãos e já sei exatamente o que fazer assim que eu puser um ponto final neste desabafo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Confiança

Esses dias li numa página alguém falando sobre (in)gratidão, que não devemos esperar nada de ninguém, não criar expectativas, essas coisas. Analisando friamente e com base em experiências, aprendemos, com o tempo, que não se pode confiar em qualquer um, mas, como saber em quem confiar até dar uma chance? Eu fui criada numa família de pessoas bondosas que ajudavam o próximo e que me ensinaram a ser boa e gentil com o ser humano, a ter piedade, a tentar entender... Como não criar expectativas em relação à gratidão quando você vê pessoas dentro de casa sendo confiáveis e provando a outras pessoas que as palavras (e ações) delas tinham fundamento? Essas pessoas acabam virando modelo e, mesmo que você saiba que lá fora está cheio de pessoas não-confiáveis, pela probabilidade, pelo menos umas poucas serão confiáveis, então, como não esperar algo delas? São todas más? Será que as gerações é que mudaram tanto assim? Tive boas referências e me sinto muito decepcionada (sim, criei expectativas) quando alguém mente, engana, "dá uma rasteira", distorce as palavras, é falso, mesquinho, egoísta... Conheço várias pessoas assim, mas, infelizmente, elas eram tão ardilosas que fingiram "inocência", ou seja, elas imploraram por um voto de confiança. Digam-me, então: como não criar expectativas? Viveremos sempre desconfiando de todo mundo só porque um ser humano nos decepcionou? Será que temos uma "raiz ruim"? Não há mesmo esperança para nós? Onde está o social, a educação e outros valores nesse meio aí? Fica parecendo que os indivíduos são todos maus e temos que tomar cuidado sempre, pois ninguém nunca mudará. É um vírus? Zumbis? Que fatalismo! Que ansiedade! Espero que não nos contaminemos por causa de uns e outros que se infiltram em nosso meio. O ser humano erra? Claro - só que, quando erram o tempo todo com você, não é sua culpa por ter sido "inocente" e ter acreditado, e também não estou dizendo que é culpa do outro. Deve ser um fardo enorme ter que fingir, enganar, manipular e machucar os outros para conseguir achar significado na vida. O bom mesmo é ficar longe, caso você não queira se sentir vítima das situações novamente. Acredite. Há outros seres humanos, que erram, que pedem desculpa e que merecem ter sua confiança de novo. Ninguém é uma ilha, e ninguém fica impune por muito tempo...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Centelhas

Hoje voltei a pensar em nós. Há pouco tempo, escrevi algo para nós dois, mas talvez você nunca leia. Não que você não exista - é claro que você está aí, em algum lugar, no nosso local quântico, mas não sei se minhas letras alcançarão essa dimensão. Estamos em todos os lugares, e em nenhum lugar. Estou aqui agora, mas você, onde estará?

As estrelas estavam maravilhosas no último sábado. Aquela poeira galáctica me transportou mentalmente a muitos lugares. Hoje há um meteoro passando muito perto do meu planeta, e ele bem que poderia me carregar para lugares longínquos onde meu pensamento já vai com facilidade... Enquanto isso, no entanto, uso esse recurso linguístico para tentar descrever minhas sensações de uma noite perfeita. Senti-me poeira de estrela, como Carl Sagan gostava de comparar...

Você também é poeira de estrela, mas não sei seu local preciso. Em que época você está e em que lugar do universo? É sempre bom saber que posso encontrar você no instante infinito de uma fração de segundo e, depois disso, ter uma eternidade para me recordar do efêmero momento que tanto nos marcou...

Tenho certeza de que você está agora pensando em mim, pois agora estou pensando em você. A diferença é que seu agora é distinto do meu, e seu aqui está mais longe do que imaginamos. Estamos juntos, mas separados (talvez não por distâncias físicas, mas temporais. Como saber?). O que eu sei é que somos, e não houve ninguém até agora que me tirasse essa esperança de (re)encontrá-lo, pois sei que nos reconheceremos pelos detalhes e pelo brilho que emanará de nossos olhos, como fagulhas de estrelas longínquas.

Eu e você: centelhas existenciais...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Escrever

O que há de tão mágico no ato de escrever? Ler é fenomenal, mas criar e concatenar conteúdos por meio de letras, inventar e deixar fluir o que está fervilhando na mente é incomparável! Quando a escrita flui e as palavras se encadeiam formando frases e fazendo sentido, é como ver um pássaro voar e criar caminhos imaginários pelo céu. Seja uma crônica, um poema, uma divagação, um desabafo ou uma simples carta comercial: pura criação, explodindo como estrelas brilhantes e cheias de energia.

Escrever é libertador! Preenche espaços, inunda o ser, faz com que a vida tenha muitas cores, faz com que pessoas inexistentes passem a existir! Cria lugares, idiomas, culturas. Reflete sobre o que existe e sobre o que poderia acontecer. Escrever abre a janela para mundos desconhecidos - ou desnuda o que há muito tempo as pessoas tentam encobrir...

Escrevo porque quero, porque preciso, porque faz sentido, porque me envolve, porque me desnuda, porque me esconde, porque me descobre, porque me preenche, porque faz parte de mim, porque me alimenta, porque sacia a sede dessa voz que clama no deserto!

sábado, 10 de janeiro de 2015

Selfie

2015 tem me trazido muitas reflexões. Além dos planos e ideias, os pensamentos sobre minha vida, sobre meu comportamento, sobre minha forma de lidar com situações e pessoas têm aflorado e feito com que eu repense e veja tudo isso sob ângulos diferentes. Às vezes, nós nos acostumamos a pensar, a falar e a agir do modo habitual e não nos permitimos pensar com ousadia. Sabe o que acontece? Temos medo! Medo de admitir nossos erros, nossas falhas, nossas limitações; medo de ferir nosso orgulho; medo de sofrer; medo de perder. O medo escraviza, e é preciso ser corajoso para dizer que errou, que pensou ou sentiu demais (ou de menos), que se enganou, que não quis fazer algo para não "perder ponto" com as pessoas. É preciso audácia para olhar-se no espelho e dizer o que mais se tem medo de ouvir e, em seguida, sentir o arrepio do inevitável, o choro preso na garganta, chamar-se de idiota por ter acreditado demais, ter medo do próprio olhar inquisidor... Depois disso, os ombros descansam de tanto peso, a expressão fica suave, o rosto em lágrimas dá lugar a um sorriso e a uma condescendência materna que emana perdão em cada movimento. Não é preciso ter medo de si mesmo. Todas as perguntas e todas as respostas estão ali, dentro de nós. É só ter a coragem para fazê-las, e mais coragem ainda para respondê-las. Receber as respostas como elas vêm e lidar com isso. Passar pelas lutas e pelos lutos. Não negar o sofrimento que isso causa, mas não viver atormentado por ele. Reerguer-se - mais forte, mais preparado, pronto para novos acontecimentos (bons e ruins), mas sem se deixar contaminar por outros reflexos que queiram interferir no diálogo eu-eu. Só o eu sabe de si, e é só ele, no olhar recíproco do espelho, que pode dar as respostas satisfatórias.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Thrill

The Thrill Is Gone
B.B. King

The thrill is gone
The thrill is gone away
The thrill is gone, baby
The thrill is gone away
You know you done me wrong, baby
And you'll be sorry someday

The thrill is gone
It's gone away from me
The thrill is gone, baby
The thrill is gone away from me
Although I'll still live on
But so lonely I'll be

The thrill is gone
It's gone away for good
The thrill is gone, baby
It's gone away for good
Someday I know I'll be open armed, baby
Just like I know a good man should

You know I'm free, free now, baby
I'm free from your spell
Oh I'm free, free, free now
I'm free from your spell
And now that it's all over
All I can do is wish you well

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Leve

Mais um ano chegou e, com ele, as sensações típicas que emanam de um simbólico recomeçar. Desde então, tenho me sentido muito bem, feliz e focada, e cumprindo minha determinação vulcana (Mr. Spock mode ON). Estou confortável comigo mesma, além de gostar da companhia de alguns. Tenho conversado e visto pessoas que realmente se importam comigo, e por quem tenho um carinho especial: pessoas que ligam, mandam mensagens, vêm me visitar, passam um tempo comigo... Isso faz muita diferença para mim, especialmente nesse momento em que estou pesando e avaliando quem realmente veio para ficar. Estou agradecida pelos presentes, mas também pelos ausentes, pois todos estão fazendo questão de mostrar o quanto eu importo e significo para eles (sim, eu estou quantificando!). Além disso, estou muito feliz por poder estar fazendo as atividades de que gosto, agradando a mim mesma e reencontrando aquele equilíbrio que achamos quando dizemos, "ah, como eu amo fazer isso!". Meu tempo é precioso. Eu sou especial demais para o cosmos para que eu me transforme em passatempo de entediados...

2015 vai bombar! Cheia de expectativas, ideias, planos, contatos, pessoas e situações novas... Toda a negatividade tem dado lugar a novas sensações e ações benéficas. Estou satisfeita comigo mesma - mas estou longe do egoísmo, mesmo tendo voltado à minha racionalidade básica. Continuo me importando e fazendo o possível para ajudar o próximo, mas nunca mais me torturando nesse processo!

Livre, leve e solta! Consegue acompanhar? Venha - ou então me aprecie de longe...