quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Maybe

Esses dias eu estava me lembrando de você. Ah, sim, e dele também - e também dela, e daquela outra, e também daquele - e de tantos outros que passaram por nós, ainda que de modo apressado. Talvez você nem saiba quantos outros surgiram depois, e como todos eles se tornariam atores num cenário de eventos bons e ruins. Só sei que a nossa parte naquela história, mesmo curta, trouxe-me boas lembranças esses dias. Éramos densos, mas, quando juntos, ficávamos leves - tão leves que flutuamos numa noite e nos perdemos no caminho (de propósito, claro). Acho improvável voltarmos a nos ver, mas confesso que, mesmo que eu tenha vivido muito mais com outras pessoas e partilhado mais acontecimentos, convívio e emoções com elas, eu gostaria de rever você. Ao menos foi sincero e sempre fomos francos, sem nada a esconder. Todo o resto, com todas aquelas pessoas, já não garanto. Alguns, por medo do que sentiam, preferiram mentir, enganar ou omitir. Nós, ao contrário, queríamos viver e aproveitar o que de melhor podíamos ter. Maybe one day we'll meet again, my friend. Maybe one day...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Ahead

Sim, eu deixei tudo para trás. Se você não ficou sabendo ou não se interessou quando, por vezes, eu buscava um fio de atenção, é porque você também ficou para trás. Só eu sei o que passei, o que tentei, o que vivi e o que fiz para manter pessoas em minha vida. Chega. Basta. Agora eu ando é para frente - sozinha, muitas vezes, e feliz assim. Quando acompanhada, é de pessoas que continuaram a ser o que sempre foram e/ou que me dão calma ao coração. Se quiser, talvez ainda haja espaço para você. Talvez. Prefiro não garantir.

domingo, 21 de maio de 2017

Dança

Você chegou de surpresa e me viu – ou melhor, conseguiu me enxergar claramente. Foi como se um holofote tivesse sido colocado em mim: fiquei em destaque, ainda que eu estivesse tentando me esconder. Será que você viu em mim a energia que eu tentava emanar (apesar de, ao mesmo tempo e paradoxalmente, tentar me esconder)? Minutos antes, eu dançava e me libertava de toda a tormenta mental de dias anteriores: lembranças ruins e conversas com pessoas que não significam mais como antes. Naquele momento, ninguém estava ali, nem todo aquele trauma de situações pesadas vividas em terras longínquas. Eu me divertia genuinamente, sem preocupações, livre, como há tempos não me sentia. Aí você chegou. Viu algo em mim - talvez essa faísca de liberdade, esse desejo enorme de revolucionar. Você veio e me tirou para dançar, sem ao menos saber meu nome ou se eu falava a mesma língua. Fiquei apreensiva, mas me entreguei àquele momento – e foi uma das melhores decisões que tomei nesses últimos dias. Obrigada por esse momento significativo. Você me fez ver que estou viva, de várias formas. Você reacendeu o que estava adormecido e me fez ter certeza de que instantes assim valem a pena. Se vai continuar? Só o tempo para dizer – e mais danças como aquela...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Religiosidade

Algumas pessoas não sentem necessidade de uma vida espiritual. Alguns não veem lógica, não têm vontade, enfim, não sentem nada transcendental ao seu redor ou em sua existência. Muita gente se diz religioso, seja lá qual denominação for, mas não segue os preceitos daquela religião. Acho que é como dizer que se é vegetariano, mas sentir vontade de comer carne - e, às vezes, até comer, mesmo. Se alguém é vegetariano, é porque acredita em alguns princípios e acha que não deve mais comer carne, e não afirmar que não come porque o que ele segue "não permite". Muita gente diz isso, "minha religião não permite". Como diz a frase de Chagdud Tulku Rinpoche: "se alguém precisa de religião para ser bom, a pessoa não é boa, é um cão adestrado"! Essas coisas a pessoa sente. Se alguém não sente, então não deve mesmo ser religioso. Quer saber? Não há mal algum nisso! Se você é ateu, se não acredita em nada, se não quer se guiar por alguns princípios de forma obrigatória, ótimo! Que seja respeitado por isso. Se você é religioso e acredita em algo, ou em muita coisa, ótimo! Que também seja respeitado por isso. Não podemos é brigar com algo dentro de nós: ser religioso de maneira forçada porque foi criado assim ou lutar contra o que sente só para se adequar a um meio científico. Seja ateu, seja religioso, mas seja você! Quando as outras pessoas entenderem o que faz de você o que você é, vão respeitar e aceitar. Não negue sua espiritualidade ou a falta dela só porque você é cobrado pela sociedade/família/amigos de alguma forma. Quer seja ateu convicto ou religioso fervoroso, não seja meio termo: seja por inteiro.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Meu país

Postei hoje numa rede social, mas acho que vale a pena ficar registrado aqui...

"Meu país é lindo. O Cruzeiro do Sul, visto daqui, é algo que me encanta todas as noites. Com todos os defeitos que possa ter, o Brasil é meu país. Nada vai mudar isso. Estou muito triste com o que acontece nos últimos tempos, vendo a população se dividir e se digladiar em debates que desgastam até mesmo as relações interpessoais. Aceitamos as opiniões divergentes, mas é triste ver que algumas delas são desprovidas de um pensamento crítico. Para quem pensa que está bem embasado nas convicções, parabéns! O problema é que vejo um caos instaurado: ataques gratuitos e defesas de pontos de vista que não se pautam numa análise crítica. Ainda há muito a ser mudado, e vejo a luta de muitos ir pelo ralo do descaso e do abafamento. Vejo discursos, brigas e discussões em vez de um caminhar comum rumo a uma possível resolução. O povo precisa se unir, e não se dividir. Os vários posicionamentos, e até a falta deles, tem feito com que as coisas continuem sem uma perspectiva. Isso dá desesperança, essa desunião. Enquanto isso, somos impelidos a assistir a tudo de dentro da arena, pois, desse “panis et circenses”, não estamos na plateia, e sim sendo devorados por feras e servindo de atração para oportunistas políticos."

domingo, 23 de abril de 2017

Ilha

Algumas vezes, dentro da sua dita liberdade, você até tem vontade de estar preso. Parece estranho dizer isso, mas algumas prisões são "gostosas": você recebe e dá atenção, ama e é amado, cuida e é cuidado... É a parte boa de estar "preso" a alguém, a algumas situações, a algumas pessoas, a alguns lugares... Só que a parte ruim é exatamente aquela: perder sua liberdade de fazer tudo aquilo que antes era permitido, ou melhor, tudo que antes não precisava passar pelo aval de ninguém. Além disso, a dependência emocional, que sufoca, prende, chicoteia, faz com que você se sinta menos você, pois é preciso ceder para conviver. Vale a pena? Às vezes, sim, quando é recíproco, quando todos cooperam para o bem daquela relação. Quando é só você que é o amigo/amante/doador, fica difícil sustentar. Não tem jeito: o melhor é estar sozinho. Esses dias me disseram, "ninguém é uma ilha". É sim. Todos somos. Quem não aceita isso, faz pontes. Os que aceitam e ficam razoavelmente bem, é porque já tentaram fazer pontes, mas foram quebradas. Se alguém quiser visitar a ilha, que seja de barco ou de helicóptero, porque algumas pontes são construídas e destruídas com muita ilusão e dor. É preciso coragem para querer criar pontes, e mais coragem ainda para quebrá-las. Liberdade tem um preço altíssimo, e é preciso ser forte para arcar com os custos. Como diz uma frase que li esses dias, "letting go means you're strong enough". É isso. Seja forte o suficiente e deixe que as coisas/pessoas vão embora. Se foram, é porque não tinham afinidade com a ilha. Rejeitaram algo precioso - e quem perde são elas. Não se sinta desvalorizado só porque não souberam enxergar (ou não quiseram) o diamante que havia na ilha. Você sabe o valor que tem - e, agora que o mundo ficou pequeno, outras pessoas vão saber também.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Renovação

Você tem que seguir sua estrada até onde ela der. Sempre em frente. Foco no objetivo. Em alguns momentos, no entanto, acho válido seguir o provérbio turco: "No matter how far you have gone on the wrong road, turn back". Volte! Não é demérito voltar lá se você já sabe para onde ir. Prosseguir num caminho incerto (sabendo que você pode voltar na encruzilhada e trilhar outro) não é atitude sábia. O bambu é flexível e continua intacto com o vento; o carvalho é firme, mas quebra. Não é preciso ter medo quando você decide algo e enfrenta as consequências. O pior é ficar escutando "conselhos" de quem não sabe suas lutas, de quem não conhece sua vida e de quem, no fundo, não se importa nem um pouco com o que vai acontecer na sua estrada lá na frente. Só você sabe de si. Cabe a você decidir, mesmo que seja o errado, pois é algo muito seu. Se der errado, volte, refaça o caminho - certamente a viagem, ainda que demore mais, será mais bem aproveitada. Tudo é aprendizado. Nada/ninguém entra em sua vida por acaso. São lições: umas duras, outras doces, mas lições. Seja um bom aluno e tire o melhor que a vida possa lhe oferecer. Quando você toma posse do que é seu, do que lhe é único e peculiar, do que lhe pertence e do que faz você se sentir você, tudo faz sentido e se amplia. Seja você. Viva para o que/quem faz bem a você. Volte e recomece. Largue bagagens pelo caminho. Nunca é tarde. Sempre é possível. Renove-se!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Vida

Músicas; conversas soltas e profundas na madrugada; reflexões solitárias ao amanhecer; um dia inteiro imersa num furacão emocional, com desdobramentos físicos... Tempestade de sentimentos e de sensações que culminam com o desabrochar de um novo dia, ensolarado e condizente com as decisões que tomo - e que, cada vez mais, dão um significado real ao que chamo de vida.

As nuvens dispersaram, as dores amenizaram, os problemas pequenos viraram pó. Alguns dias, poucas e acertadas decisões, planos seguindo o fluxo que devem seguir, como um rio, destinado a encontrar o mar...

Viver é deixar fluir, e a ansiedade que vez ou outra nos domina é inimiga dessa entrega, desse abraço sereno no desconhecido, desse salto que nos catapulta rumo a horizontes inexplorados e significativos. É lá, nessa busca suave, que entendemos que deixar ser é estar sendo, e que "let it be" é tão sábio quanto um mergulho no mar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Afastamento

Acontece, às vezes como mecanismo de defesa, de as pessoas se afastarem das outras para não sofrerem uma separação. Paradoxal? Sentimento segue uma lógica? Talvez essas explicações sejam uma forma de tentar ver lógica nisso, afinal, quando você sabe que vai partir, você adota posturas maniqueístas: ou se afasta (para não sofrer) ou se aproxima mais (para ter lembranças depois). Para muitas pessoas, este último causa mais sofrimento, e chega a ser masoquista ficar retendo memórias para depois usá-las numa tarde chuvosa, ao som de uma música melancólica. Alguns, talvez os mais lógicos, talvez os já que sofreram muito, prefiram a outra opção: o afastamento. Quando você se afasta, não deixa de gostar (de algumas pessoas você até deixa, mesmo), mas faz os laços ficarem frouxos, pois, se as raízes não forem profundas, logo vão desaparecer. Um dia você vai partir e pode ser que ninguém nem vá nem se lembrar da pessoa legal que você era (e você era?).

Perto ou longe, pessoas significativas sempre estarão com você, nem que seja por meio de uma lembrança, de um conselho, de uma risada... São provas de que você habitou o coração de alguém e vice-versa - e tal fato, meus caros, é raríssimo de se manter ao longo dos anos. Falta coragem de manter alguém vivo dentro de nós, e de confessar, "você é parte de mim".

quinta-feira, 12 de maio de 2016

(in)Decisão

Quando você é indeciso, as coisas ficam complicadas... Tudo está bom, você se agrada com uma coisa ou outra (porque tanto faz escolher!), novas opções são bem-vindas, você se diverte assim mesmo - mas também se frustra por ter que decidir entre duas (ou mais) coisas interessantes, pois vai perder uma (ou mais!) delas... É difícil! Só que, quando você, "o indeciso", toma uma decisão, sai de baixo: nada/ninguém vai demovê-lo daquilo e você lutará com todas as forças, armas e recursos para conseguir o que quer. Pode até postergar, mas não desistir. Se você se decidir, já saberá os prós e os contras e quer arcar com as consequências assim mesmo, pois já sabe o que esperar, o que largar de mão, o que sofrer, o que perder, o que ganhar... Quando você se decide, sendo indeciso, é porque tudo aquilo que tenta prender você já não faz mais sentido, as opções se tornam irrelevantes e a busca pelos seus objetivos se transforma em algo vital. Eu funciono assim: posso não saber bem como decidir entre coisas que quero, mas sei muito bem o que eu NÃO quero! Levando isso em conta, já me cansei de suportar as coisas que não quero. Decidir, nesse caso, foi até fácil.