Hoje pude repensar muitas coisas... Mesmo que olhemos para uma mesma paisagem e a percebamos de modo diferente, falar sobre isso, às vezes, faz com que nossa percepção se altere. Uma cor que não percebemos antes, uma árvore no meio do caminho, um pássaro que voa do outro lado: detalhes que não víamos antes de uma outra pessoa mostrá-los. Muitas vezes, estamos com nossa visão estacionada, fixa em um ponto, variando muito pouco na percepção do entorno e sequer notamos que há outros pontos a serem observados (e sentidos). Estou pensativa e reflexiva. Muitos contribuíram para isso hoje, mas uma pessoa, em especial, fez toda a diferença. Ainda bem que nossas lições são constantes. Grata aos professores nossos de cada dia...
sábado, 8 de junho de 2013
Repensando
Há quase um mês, escrevi algo numa rede social e lembrei-me disso ontem, pois gostaria que também estivesse aqui no blog. Escrevi pensando numa pessoa que conheci e que tenho a oportunidade de conhecer mais e mais a cada dia. Pessoas são especiais, especialmente quando nos tocam e fazem com que pensemos (e repensemos) sobre muitos assuntos da nossa vida... Aí vai o texto, escrito em 18 de maio:
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Humanos
Seres
humanos não são textos "corretos" de português, com coerência e coesão.
Seres humanos são falhos, imprevisíveis e, muitas vezes, ilógicos. É
preciso aprender a lidar com isso e ficar preparado para as surpresas.
Ninguém deveria viver pelas expectativas alheias. Viver a própria vida,
com o que ela traz de dor e de alívio, já é uma tarefa árdua, e ninguém é
capaz de medir o que se passa no outro. Cobrar comportamentos e fazer
julgamentos é como gritar para o eco ou apontar o dedo para o espelho.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
17
Chocada. Passada. Meio sem reação. A vida é tênue, é rara. Uma vida é tomada, de forma brutal, e nos deixa assim, sem saber o que dizer, o que pensar, o que sentir... Alguém tão jovem, bonito, alegre... Pensei nele no feriado, imaginando se o veria novamente, se escutaria sua risada, se conversaríamos... Hoje tive a resposta: não. Não o verei novamente, não escutarei sua risada, não conversaremos... Não era essa a resposta que eu queria ouvir! Sua voz meiga, de menino doce, já não diz mais nada... Seu nome, tão significativo para mim, é mais um nas estatísticas... Que forma brutal encontraram para tirá-lo deste mundo! 17 anos! É pouco tempo! Havia muito ainda a ser vivido! Como já ouvi alguém dizer uma vez, repito, com o coração doído e com um nó na garganta: eu já tive a idade dele, mas ele nunca terá a minha...
sábado, 1 de junho de 2013
Espelho
"Espelho quebrado: sete anos de azar". De tanto ouvir essa frase, manuseamos espelhos com o maior cuidado, pois não queremos ter anos de azar, certo? Será somente uma superstição ou uma forma de sermos cautelosos com objetos valiosos? Será que não é uma forma de valorizarmos nossa vaidade? Quando quebramos um espelho, quebramos nossa imagem, nosso reflexo. Fica tudo espatifado e disforme, sem uma identificação precisa. Fiquei pensando se quebrar um espelho não seria um "bom sinal". Desfazer-me daquela velha imagem de mim mesma, de ver sempre minha imagem refletida da mesma forma, de sempre esperar aquele olhar surpreso e aquele sorriso ao olhar para aquele canto da parede. O espelho não está mais lá, meu outro eu não sorri mais para mim. O que a queda do espelho pode ter a ver com azar? Será que quebrá-lo, de propósito, é que causa a tal má sorte? Talvez não gostar da própria imagem faça com que isso cause um mal-estar tal que pode até ser confundido com azar, afinal, quebrar o próprio reflexo e não aceitar o que se vê pode causar uma "má sorte" danada! Mesmo assim, de propósito ou não, o fato de o espelho estar quebrado pode ser algo bom. Não estar satisfeito com a própria imagem ou estar acostumado demais com ela pode causar um sofrimento e um conformismo que não nos impulsionam a mudar. As mudanças são necessárias e, muitas vezes, impostas. Nada imposto pelo outro é bom, mas eu me refiro a imposições próprias, da vida, do que estamos vivendo, do nosso processo. A imagem no espelho é nossa e sempre será. Ao quebrá-lo, só haverá a lembrança de nós mesmos. Reconstruir essa imagem dentro de si é tarefa árdua e ininterrupta.
O espelho foi quebrado. Minha imagem se foi junto com os cacos, mas meu eu está aqui, indo a todo lugar. Que tipo de imagem estou refletindo no mundo? De quantos espelhos é feita a vida? Quantos olhares me olham e não veem? Quantos reflexos são dissipados com uma mísera pedra lançada no espelho do lago?
Azar? Só se for o de não me reencontrar, mesmo sem o espelho.
O espelho foi quebrado. Minha imagem se foi junto com os cacos, mas meu eu está aqui, indo a todo lugar. Que tipo de imagem estou refletindo no mundo? De quantos espelhos é feita a vida? Quantos olhares me olham e não veem? Quantos reflexos são dissipados com uma mísera pedra lançada no espelho do lago?
Azar? Só se for o de não me reencontrar, mesmo sem o espelho.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Talvez
Talvez PAZ seja isto: não apressar nada, ocupar-se de uma coisa enquanto espera outra, amar sem se preocupar se é amado, não cobrar posturas alheias, enfim, viver, caminhar e seguir, deixando a ansiedade ir embora pelo caminho oposto.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Te quiero
Te quiero
Mario Benedetti
Tus manos son mi caricia
Mis acordes cotidianos
Te quiero porque tus manos
Trabajan por la justicia.
Si te quiero es porque sos
Mi amor, mi cómplice y todo
Y en la calle, codo a codo,
Somos mucho más que dos.
Tus ojos son mi conjuro
Contra la mala jornada
Te quiero por tu mirada
Que mira y siembra futuro.
Tu boca que es tuya y mía
Tu boca no se equivoca
Te quiero porque tu boca
Sabe gritar rebeldía.
Si te quiero es porque sos
Mi amor, mi cómplice y todo
Y en la calle, codo a codo,
Somos mucho más que dos.
Y por tu rostro sincero
Y tu paso vagabundo
Y tu llanto por el mundo
Porque sos pueblo, te quiero.
Y porque amor no es aureola
Ni cándida moraleja
Y porque somos pareja
Que sabe que no está sola.
Te quiero en mi paraíso
Es decir que en mi país
La gente viva feliz
Aunque no tenga permiso.
Si te quiero es porque sos
Mi amor, mi cómplice y todo
Y en la calle, codo a codo,
Somos mucho más que dos.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Esmalte
Sabe aquele esmalte nas minhas unhas do pé? Eu tirei, meu bem. Não estava usando por vaidade, mas para esconder uns roxos que ganhei nas unhas. Aliás, esconder é algo que faço muito, baby. Como diz uma música de que gosto bastante, "eu sei que é difícil manter um coração aberto mesmo quando os amigos parecem machucar você". Foram muitos anos sendo magoada, darling, de diversas formas. Sabe o que vejo agora? As pessoas magoam, mesmo. Cada ser humano é único, todos temos problemas e não temos o "manual de instruções" de todas as pessoas. Tentamos conviver, tentamos interagir, tentamos amar, tentamos compreender, só que cada um faz do jeito que sabe, a seu modo, levando em conta o que é e o que viveu. Não é preciso ter medo de ser magoado pelos amigos, pelos familiares, pela vida. Isso não invalida o amor que eles sentem, e isso não quer dizer que eles não estão tentando de todo o coração. As pessoas vão estar conosco, vão nos amar, vão nos abandonar, vão se aproximar, vão se afastar, mas é porque cada um está vivendo sua loucura particular e não é fácil conciliar.
Medo. Isso tira muitas possibilidades, tira a potência da vida. Ele é importante em algumas situações, mas não podemos ficar viciados nele, my dear. Ele impede momentos lindos, inclusive esses, de se abrir para o mundo sem se preocupar em ser sincero demais, em dizer o que pensa, mesmo que fiquemos sozinhos. O importante é estar em paz com você mesmo, sabendo, ao menos suficientemente, quem você é, sweetheart. Não minto, mas omito, exatamente pelo medo do julgamento alheio. Querem me julgar? Não posso controlar isso, então tentarei não me omitir mais. Cansei de me esconder embaixo da cama, ou atrás das pessoas, ou atrás de um escudo enorme, miei cari!
Os roxos nas unhas? Resquícios de uma viagem maravilhosa que fiz em dezembro. Andei demais, usando duas ou três meias e uma bota. Andei o dia todo. Deslumbrei-me. Vi lugares que antes só existiam em fotos e em filmes para mim. Os dedos ficaram inchados e ganhei roxos por debaixo das unhas. Ainda bem que elas não caíram, mas inventei de passar esmalte para que as pessoas não achassem aquilo feio. Feio, chéri? Como as lembranças, marcas e cicatrizes de uma viagem linda, suada e bem-aproveitada podem ficar escondidas assim? Vou partir para extremos: da vergonha, vou para o orgulho de ter ido e ostentarei meus roxos como prova de que fui, vi e venci.
O esmalte era só mais uma máscara das tantas que ainda uso, e que sei que todos nós usamos. Não há como se livrar de todas, mas, enquanto houver acetona, muitos esmaltes podem ser removidos. Chega de esconderijos. As pessoas amam, odeiam, apegam-se, desprezam, julgam, entendem, independente do que você mostrar. Pretendo me mostrar mais como sou, então, mes amis. Agindo assim, os sinceros também se aproximarão e, mesmo que saiam faíscas, ao menos ninguém foi enganado nesse processo.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Brothers
Brothers In Arms
by Mark Knopfler
Dire Straits
These mist covered mountains
Are a home now for me
But my home is the lowlands
And always will be
Are a home now for me
But my home is the lowlands
And always will be
Someday you'll return to
Your valleys and your farms
And you'll no longer burn
To be brothers in arms
Through these fields of destruction
Baptisms of fire
I've witnessed your suffering
As the battles raged higher
And though they did hurt me so bad
In the fear and alarm
You did not desert me
My brothers in arms
There's so many different worlds
So many different suns
And we have just one world
But we live in different ones
Now the sun's gone to hell
And the moon's riding high
Let me bid you farewell
Every man has to die
But it's written in the starlight
And every line on your palm
We're fools to make war
On our brothers in arms...
terça-feira, 16 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Nós
Estou aqui pensando em nós. Eu e você. Você e
eu. Eu, aqui; você, aí. Cada um no seu lugar, cada um no seu quadrado,
que é essa tela de computador. Dividimos pensamentos, partilhamos
sentimentos. Estamos "linkados", mas a que preço? A distância continua.
Eu continuo aqui, você continua aí. Será que no face a face, e não no
facebook, seria diferente? Diríamos as mesmas coisas? Expressaríamos
nossas opiniões da mesma forma? Ao menos
eu estaria falando só com você, e não com várias janelas que pulam na
tela, ou mil atualizações do feed de notícias (além das páginas sendo
pesquisadas na internet, um possível MSN aberto, GTalk, Skype...).
Olharíamos nos olhos, sentiríamos nossa pele, ouviríamos nossas vozes,
apreciaríamos nossas risadas, enxugaríamos nossas lágrimas... Tudo isso é
muito singular. É único. E só é partilhado ao vivo. O virtual é apenas
um recurso para amenizar a impossibilidade do encontro, mas digam-me:
por que a maioria dos amigos que temos são exatamente aqueles que moram
perto de nós?
Continuo aqui pensando em nós: em mim, em você e em todos nós (e em todos os nós). Eu poderia estar aí; você poderia estar aqui. Por que estamos todos online se poderíamos estar lá fora, aproveitando cada segundo de nossa efêmera, tênue e doce vida? Se eu sair do virtual, deixo de existir para você? Se você sair, deixará de existir para mim? A pergunta fica, e a possibilidade do encontro, também.
Continuo aqui pensando em nós: em mim, em você e em todos nós (e em todos os nós). Eu poderia estar aí; você poderia estar aqui. Por que estamos todos online se poderíamos estar lá fora, aproveitando cada segundo de nossa efêmera, tênue e doce vida? Se eu sair do virtual, deixo de existir para você? Se você sair, deixará de existir para mim? A pergunta fica, e a possibilidade do encontro, também.
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