terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O caminho

Tentei, por muito tempo, trilhar um caminho que eu pensava ser difícil. Na verdade, eu me desviei dessa rota, vivi outras coisas mais condizentes ao meu gosto, mas acabei voltando para esse caminho. Fiz muito para continuar nessa trilha e me decepcionei, chegando a dizer que nunca mais por ali passaria. Depois de percorrer outros destinos, cheguei à conclusão de que aquele caminho me dava condições de ser melhor e de ajudar pessoas a serem melhores também. Resolvi voltar e dar outra chance, mas, novamente veio a decepção. Nunca foi uma trilha fácil e resolvi, por fim, abandoná-la de vez e me dedicar a paisagens mais agradáveis, porém as surpresas da vida me desviaram da rota de novo e fui parar onde? Sim: na encruzilhada que leva àquele caminho. A diferença? Na própria encruzilhada fui empurrada de volta a esse caminho - e quer saber? Vou enfrentar! São espinhos, rotas tortuosas, seres perigosos, mas acho que é o que tenho que fazer. Eu me propus, um dia, a trilhar por ali e, em momentos assim, até acredito no inevitável, no inescapável fio que me liga a uma trilha que não sei onde vai dar, mas que, apesar dos revezes, mostra muitas flores enquanto vou andando. Sigo, então, por esse caminho, sem querer criar expectativas que gerem frustrações. O que acontecer a partir de agora faz parte da caminhada e, portanto, aceito meu destino.

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Fortalecer

Eu já escrevi antes sobre "fugir", sobre não enfrentar determinadas situações que surgem, simplesmente porque não queremos aquilo. Muitas vezes, não é sobre o que queremos ou não, mas sim sobre o que precisamos ou o que "devemos" fazer. Deixamos coisas, pessoas, lugares, empregos e tanto mais para trás, mas, devido a circunstâncias da vida, acabamos voltando para as mesmas coisas, lugares e pessoas... Claro, nunca são as mesmas situações, pois é como uma espiral, mas não deixa de ser algo "repetitivo". É nessa repetição que fica claro o que devemos fazer, ou seja, como essa "volta" precisa acontecer: de forma madura e resiliente, mas não rendida. Temos sonhos infantis que queremos realizar, mas a magia desses sonhos só vai ser grandiosa dentro da nossa mente, naquele campo de imaginação que nos impulsiona a sonhar mais e, vez por outra, realizar os anseios. O momento agora é de fortalecimento e de resgate de raízes, mesmo que algumas pessoas já não façam parte dessa jornada, pois elas precisavam ir - mas o meu caminho continua, por tempo indeterminado e desconhecido.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Wabi-sabi

De repente, eu me lembrei de quem eu sou, e não foi olhando no espelho: foi olhando para fora, para as coisas que eu comecei a fazer e que achei que poderiam fazer parte da minha vida e me ressignificar. Não. Essas coisas são apêndices, apenas momentos jogados no tempo, experimentações, mas não o que me define. Aliás, não há algo a ser definido. Existe alguém com potencialidades e com mudança de vontades. Definir-me é perder-me. É o vai-e-vem de reflexões e novos/velhos caminhos que vai me constituindo, mas sem uma definição clara, pois estou em construção. Minha movimentação é constante e minha consciência é pulsante. Estou viva e é isso que dita o ritmo da dança, ainda que haja pausas ou movimentos ousados. Posso ir para frente, para trás, para os lados ou andar em círculos, mas algo sempre mudará para tudo fique o mesmo: um perfeito imperfeito. Aceitação da impermanência. Wabi-sabi.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Desacelerar

Quando você começa a desacelerar, tudo vai, ironicamente, acontecendo de repente. Quando você vê, sua vida voltou ao normal e, aos poucos, você se sente mais centrado e confiante, pois as interferências de outras pessoas são deixadas de lado, já que você toma posse das suas escolhas e enfrenta as consequências (boas e ruins) das suas decisões. Entenda: você é um ser social, as pessoas vivem COM você, mas ninguém pode viver POR você. Não é bom ter pressa e ficar ansioso, mas postergar e não agir gera frustração e angústia. Silenciar e ouvir a "voz interior" é um passo importante para conhecer a si mesmo. Depois que você "se olha no espelho" e sabe exatamente do que é capaz, seus valores, seus desejos, suas capacidades, suas limitações, você consegue ter um convívio amigável e pacífico consigo próprio. Não há pessoa mais forte e poderosa do que aquela que sabe realmente quem é. Não seja um estranho para você mesmo. Seja seu melhor amigo e sua própria fonte de energia.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Dentro

Hoje perguntei a um amigo o que ele tem feito para manter a paz. Perguntei se ele faz meditação e ele me disse, "sim, sempre. É preciso ir para dentro, e não para fora". Isso me fez refletir. Pensei em todas as vezes em que tentamos agradar os outros e deixamos de lado o nosso eu (já que dizem que ser altruísta é algo "bonito"), só que não adianta fazer o bem e prejudicar-se. Pense em você! Volte seu olhar para dentro e tudo do lado de fora perderá a importância exagerada - ou melhor, perderá o valor superestimado que você está dando a pessoas e a situações transitórias. Tudo vai passar, mas você continua.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Receba

"Espere o melhor, prepare-se para o pior e receba o que vier". Esse provérbio chinês traz lições importantes. Primeiro: "espere o melhor". Esperar o melhor é acreditar que tudo aquilo que sonhamos/desejamos/almejamos vai se realizar. Traz esperança, mas também paciência ("espere"). Segundo: "prepare-se para o pior". Preparar-se é tomar precauções, é pensar nas variáveis que podem atrapalhar a realização de nossos sonhos/desejos. É avaliar as situações, mas também agir e arriscar-se conscientemente; é ter um plano reserva ("prepare-se"). Terceiro: "receba o que vier". Apesar dos sonhos e da preparação (tanto para a realização dos planos como para enfrentar um possível revés), pode acontecer algo completamente aleatório. "O que vier" pode não ser o que foi esperado/preparado (nem o bom, nem o ruim). Esta última parte nos ensina, portanto, a aceitação ("receba"). Quando nada é como queremos, reclamamos e não conseguimos vislumbrar uma solução, mas podemos aprender a receber o que nos chega e a transformar isso em algo proveitoso para nossas vidas. Muitas coisas acontecem conosco e cabe a nós decidir como vamos recebê-las. É como um presente: você o recebe e decide se agradece e tira o melhor proveito possível ou se olha para ele com desdém e joga-o num canto, reclamando que gostaria de ter recebido outra coisa. O ato de receber deve ser seguido de um ato de gratidão. Receba o que vier e agradeça. Certamente, depois disso, tudo será mais fácil e simples de administrar.

sábado, 21 de março de 2020

Pandemia

Sempre fui apaixonada por ficção científica. Já vi muitos filmes e li muitos livros com essa temática. Os filmes com conteúdo pós-apocalíptico, então, sempre me fascinaram, pois eu nunca imaginei que algo assim pudesse, realmente, acontecer. Nosso planeta já passou por muitas crises, mas, como já superamos todas e as gerações continuaram, acreditei que nunca mais enfrentaríamos momentos sinistros, ainda mais com a evolução da tecnologia e da ciência. Qual não é meu espanto ao deparar com essa nova situação. Estamos todos confinados em casa para não transmitirmos um vírus que surgiu em outro país. Quem diria! Os números crescem a cada dia de forma assustadora. Estamos trancados em casa, mas como isso tem sido para todos? Para muitos, é tranquilo, é normal: é só ficar em casa e estamos a salvo. Para outros, é uma tortura, um desespero. O que realmente esperar, já que, o único jeito, é deixar o tempo passar para trazer alento, esperança e soluções? Muito tem sido feito, mas nada nos preparou para essa situação. Estávamos seguros, vivendo normalmente nossas mazelas cotidianas. Tudo agora parece infinitamente menor do que essa pandemia. Estamos separados de entes queridos, estamos preocupados, ansiosos e precisamos exercer a paciência. Qual será o saldo, ao final de tudo isso? Nem me refiro aos mortos, infectados ou curados, e sim ao saldo emocional. Como sairemos dessa situação? Ilesos, nunca. Todos nós estamos sendo afetados, de alguma forma. Cabe a nós saber como enfrentaremos as consequências desse caos instaurado. Desejo a todos uma plena recuperação, principalmente emocional e psicológica, pois precisaremos de muita força e serenidade. Imunidade emocional é o que devemos estimular e cultivar para que possamos fortalecer aos que se encontram desesperançados. Nossa humanidade está em jogo. Que o saldo seja positivo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

2020

Parece clichê que início de ano seja um momento de recomeço, mas, simbolicamente, é. Viramos uma página na agenda e esse ato, em si, ainda que seja um movimento pequeno, é um novo passo. Comecei o ano com muitas resoluções, e não só aquelas do papel: tenho executado, desde o fim do ano, tudo o que planejei (e há mais por vir!). Atitudes dizem muito, mas também ofereço um brinde ao acaso: os encontros que tive nesses poucos dias de 2020 (e um em especial) me fizeram dar adeus, definitivamente, a 2019. Começo o ano com a certeza de que eu melhorei, e muito. Os últimos anos foram agitados, de aprendizado intensivo e de recomeços constantes. Sobre o encontro especial que o acaso me proporcionou, posso dizer que aquele peso, ao menos de minha parte, não existe, assim como a pessoa que eu pensei que tivesse algum significado para mim. Hoje eu conversava com um amigo sobre essas "amizades líquidas", sobre ser descartado, sobre falta de profundidade, sobre intolerância e, ao deparar com tal pessoa do passado, que eu pensei estar viva nas lembranças e na vida, percebi que meus conceitos sobre amizade e perdão não estavam sintonizados com os dela. Naquele momento notei, enfim, que eu estava livre. Caminhei pelas ruas com a leveza de quem cumpriu sua parte, de quem pode, com firmeza e segurança, andar livremente sem nunca mais pensar em nada daquilo. Um dia, toda aquela história foi significativa (e todo o aprendizado ainda é, pois não se pode ignorar as lições); hoje, no entanto, essa história é só mais uma página virada, amarelada e sem importância alguma.

domingo, 3 de novembro de 2019

Seja

objeto
do meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo

seja a estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza

faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
ou de nós dois
seja

(LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013)

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Back

Coming Back To Life
Pink Floyd
(Written by David Gilmour)

Where were you when I was burned and broken?
While the days slipped by from my window watching
Where were you when I was hurt and I was helpless
Because the things you say
And the things you do surround me
While you were hanging yourself on someone else's words
Dying to believe in what you heard
I was staring straight into the shining sun

Lost in thought and lost in time
While the seeds of life and the seeds of change were planted
Outside the rain fell dark and slow
While I pondered on this dangerous but irresistible pastime
I took a heavenly ride through our silence
I knew the moment had arrived
For killing the past and coming back to life

I took a heavenly ride through our silence
I knew the waiting had begun
And headed straight into the shining sun...

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Sensações

Eu estava me lembrando, esses dias, daquele nosso encontro que nunca aconteceu. Você se lembra daquele instante quântico, que pode ser passado ou futuro, mas que existe em nossas mentes? Às vezes, eu me lembro... Nessas horas, eu penso: por que não nos encontramos realmente? Essa nossa conexão, que eu sinto mais vir da sua parte do que da minha, poderia se concretizar de verdade. O que nos impede? Eu vejo que você está sinalizando mais do que eu, que continuo reclusa e fechada no conforto do meu mundo, tão peculiar e único. Apesar disso, eu quero que você entre e veja tudo isso, pois sei que não haverá julgamentos, nem estranhamentos, nem surpresas desagradáveis. Você ficará à vontade comigo, como já fica quando se lembra dos encontros que já tivemos no nosso tempo quântico, em algum ponto do tempo e do espaço, que já não sei se aconteceu ou se ainda acontecerá. Espero ansiosa para partilhar o que ninguém mais entende. Só com o olhar, eu e você já sabemos. Sempre soubemos e sempre saberemos. Aquele/esse encontro vai além de palavras: está no âmbito das sensações.

sábado, 15 de junho de 2019

Ajustes

Falar o que penso e sinto sempre me fez bem. Ouvir também. Eu gosto de saber o que as pessoas pensam e sentem, mesmo que isso machuque. Em outras épocas, eu ficava bem chateada, mas hoje assimilo melhor. Consigo entender e ficar irritada por algumas horas só. Infelizmente, não se pode esperar o mesmo das pessoas. Elas ficam magoadas mais tempo, e talvez até pela vida toda. Eu sinto muito! Pedi perdão, recentemente, a um amigo de longa data. Ele escolheu o silêncio, e eu o entendo perfeitamente. Nem todos conseguem ou querem se expressar, ainda mais quando algo toca fundo. E eu toco fundo. Eu exijo demais de mim mesma e dos outros. O que eu consigo ver é que, com algumas pessoas, o ajuste nunca ocorre, exatamente por eu magoar e ser magoada, mas perdoar e não ser perdoada. É duro admitir que errou, mas eu tenho consciência e coragem para isso. Eu dou novas chances. Eu queria que as pessoas vissem e admitissem também, mas não posso fazer isso por elas. É triste, mas há pessoas que vão ficando pelo caminho porque não conseguem lidar. Na hora, eu também não consigo lidar, mas depois eu dou um jeito, porque a presença delas é algo bom para mim, apesar de tudo. Algumas pessoas, no entanto, trazem o caos e não querem ajustar para que haja o alívio, e isso é muito legítimo também, pois ninguém é obrigado a estar perto de alguém que lhes faça mal. Se você quer estar perto de alguém e ficar bem, tente conversar, brigar ou o que for para que isso aconteça. Peça perdão. Admita os erros. Ouça a outra pessoa de coração aberto. Se não quer estar perto, seja claro também. As pessoas têm o direito de saber, ainda mais quando elas questionam. Amizade não é algo unilateral. Se não quer amizade com essa pessoa, há muitas outras, cujo conflito é mínimo, mas diga isso a ela. O importante é ser verdadeiro sempre, especialmente com você mesmo.

domingo, 9 de junho de 2019

Leave

As pessoas não querem que você goste delas. Elas querem arrumar uma desculpa para tirar você da vida delas. Mesmo que você faça bem, elas só focam no ruim. Elas têm medo. Estão apavoradas pela mudança que você possa trazer, pelo desequilíbrio que enfrentarão até as coisas se acertarem. É como se elas já estivessem no controle da "bagunça" que está a vida delas, e isso é cômodo. Elas querem que você vá embora? Faça esse favor a elas. Não estão preparadas, ainda, para qualquer alteração na rotina. Reclamam que nada muda, mas não mudam nem a si mesmas. Há muita gente por aí ansiando pelo que você tem a oferecer (seu todo: bom e ruim). Desconforto é para quem não quer crescer e continua "viciado(a)" em emoções negativas. Ame e perdoe, mas não fique onde não foi convidado a permanecer - mas, se pedirem para você ficar, seja humilde e aceite, pois quebrar o orgulho e admitir que você pode ajudar no aprendizado é um grande passo para que cresçam juntos.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Lentamente

Tenho a tendência a mudar de pensamento rapidamente e ser tida como inconstante, como o vento (she's like the wind, alguém já disse). Essa mudança "repentina" não é, de todo, uma inconstância, mas, na verdade, o momento do insight, de quando "cai a ficha", como diziam antigamente - e aí você se dá conta de que só você não estava enxergando uma situação. Algumas pessoas não entendem isso muito bem. Os processos de cada um são diferentes. Ainda que o insight seja rápido e eu queira agir com celeridade, as mudanças não são: elas envolvem outras pessoas e situações - e isso, sim, é lento e exige cautela. É preciso ter paciência com o que está fora do nosso alcance. Essa é a parte difícil nesse meu processo - só que, ao me dispor a entender, também estou disposta a aprender. Duras lições e duros professores, mas é melhor do que ser duro consigo mesmo e achar, em si, o pior instrutor e, assim, parar o fluxo. Na realidade, somos sempre meros aprendizes, pois, quando eventualmente ensinamos aos outros, sempre aprendemos mais do que supostamente sabemos.

Let it flow (note to self).

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Sem

Help me, my angel. Meu grande desafio é ser o que quero ser sem você estar por perto. Como é difícil! É duro, também, não estar perto de outras pessoas que sempre me ajudaram, mas que estão mais distantes, no tempo e no espaço, do que você. O que eu faria agora se sua presença não fosse tão ausente? I've been trying, but it's so hard without a guide. I've been trying alone, and the more I try the lonelier I feel. People don't understand, and they don't have to...

Eu tento colocar em palavras, mesmo que seja assim, open air, mas, como diz a música e este blog, são palavras ao vento, aparentemente sem sentido - mas talvez seja a melhor forma de jogar as palavras, antes que as pessoas pensem que são direcionadas a elas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Experimentar

Como diria o músico, "o importante é que emoções eu vivi". Vivi? Viver é experimentar e, muitas vezes, deixamos de provar muita coisa por puro medo do desconhecido. Enfrentar as consequências das escolhas é, para alguns, algo terrível. Muitos não lidam bem com as frustrações; já outros, tiram de letra. A vida não é igual para todos, apesar de, aparentemente, tudo ser igual. Não é, obviamente. Todos experienciamos a vida de forma diferente. O fato é que algumas pessoas não experimentam. Têm medo. Deixam de viver. Arrepender-se e lidar com o erro também é aprendizado. Lidar com o que não foi feito é mais complicado, pois não há aquela desculpa do "eu tentei". As circunstâncias não serão as mesmas e o resultado será outro. Em todo caso, se aquela chance aparecer de novo, por que não tentar? É mais difícil lidar com o "não feito", por isso, arrisque-se mais! Se algo der errado, aprenda e use essa "falha" como ponto de partida para mudar. Se for bom, por que não tentar de novo ou guardar essa lembrança/lição? Não é sempre que vai dar errado, então aprendamos a saborear! Curtir a parte boa também é aprendizado!

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Reencontro

Depois de longas e tenebrosas estações, cá estou novamente! Muitos foram os caminhos, muitos foram os encontros e os desencontros, e agora é a fase dos reencontros: com pessoas, com situações e comigo mesma. Nada é igual, ainda que, aparentemente, tudo pareça o mesmo, mas acredito no cíclico como espiral e, portanto, enfrento as coisas antigas de um modo novo. Tudo é o mesmo, mas mudou. Eu sou a mesma, mas mudei.

Pretendo escrever mais, seja publicando ou não. É uma promessa que sempre faço e que, no fundo, sempre cumpro, pois, mesmo não publicando, estou sempre escrevendo: para mim, para outros... Refletir com palavras, sejam elas impressas ou de próprio punho, sempre me traz libertação e paz. Estou nesse caminho.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Maybe

Esses dias eu estava me lembrando de você. Ah, sim, e dele também - e também dela, e daquela outra, e também daquele - e de tantos outros que passaram por nós, ainda que de modo apressado. Talvez você nem saiba quantos outros surgiram depois, e como todos eles se tornariam atores num cenário de eventos bons e ruins. Só sei que a nossa parte naquela história, mesmo curta, trouxe-me boas lembranças esses dias. Éramos densos, mas, quando juntos, ficávamos leves - tão leves que flutuamos numa noite e nos perdemos no caminho (de propósito, claro). Acho improvável voltarmos a nos ver, mas confesso que, mesmo que eu tenha vivido muito mais com outras pessoas e partilhado mais acontecimentos, convívio e emoções com elas, eu gostaria de rever você. Ao menos foi sincero e sempre fomos francos, sem nada a esconder. Todo o resto, com todas aquelas pessoas, já não garanto. Alguns, por medo do que sentiam, preferiram mentir, enganar ou omitir. Nós, ao contrário, queríamos viver e aproveitar o que de melhor podíamos ter. Maybe one day we'll meet again, my friend. Maybe one day...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Ahead

Sim, eu deixei tudo para trás. Se você não ficou sabendo ou não se interessou quando, por vezes, eu buscava um fio de atenção, é porque você também ficou para trás. Só eu sei o que passei, o que tentei, o que vivi e o que fiz para manter pessoas em minha vida. Chega. Basta. Agora eu ando é para frente - sozinha, muitas vezes, e feliz assim. Quando acompanhada, é de pessoas que continuaram a ser o que sempre foram e/ou que me dão calma ao coração. Se quiser, talvez ainda haja espaço para você. Talvez. Prefiro não garantir.

domingo, 21 de maio de 2017

Dança

Você chegou de surpresa e me viu – ou melhor, conseguiu me enxergar claramente. Foi como se um holofote tivesse sido colocado em mim: fiquei em destaque, ainda que eu estivesse tentando me esconder. Será que você viu em mim a energia que eu tentava emanar (apesar de, ao mesmo tempo e paradoxalmente, tentar me esconder)? Minutos antes, eu dançava e me libertava de toda a tormenta mental de dias anteriores: lembranças ruins e conversas com pessoas que não significam mais como antes. Naquele momento, ninguém estava ali, nem todo aquele trauma de situações pesadas vividas em terras longínquas. Eu me divertia genuinamente, sem preocupações, livre, como há tempos não me sentia. Aí você chegou. Viu algo em mim - talvez essa faísca de liberdade, esse desejo enorme de revolucionar. Você veio e me tirou para dançar, sem ao menos saber meu nome ou se eu falava a mesma língua. Fiquei apreensiva, mas me entreguei àquele momento – e foi uma das melhores decisões que tomei nesses últimos dias. Obrigada por esse momento significativo. Você me fez ver que estou viva, de várias formas. Você reacendeu o que estava adormecido e me fez ter certeza de que instantes assim valem a pena. Se vai continuar? Só o tempo para dizer – e mais danças como aquela...